Guia para visitar Assisi

Assisi é um destino muito bacana por vários motivos: se você tem fé, é um lugar onde pode viver e sentir experiências especiais já que a cidade gira em torno dessa aura religiosa; se gosta de pequenas cidades medievais cheias de flores e cantinhos que estão sempre prontos para serem fotografados, aqui encontra abundância; se quer ter uma experiência gastronômica sólida, a cidade também é pra você. Ainda não te convenci? Bom, Assisi é ótima para fazer comprinhas e levar para casa aqueles souvenires típicos. Além do fato de que um dia turistando é suficiente para conhecê-la, ou seja, se encaixa num perfeito bate e volta vindo de Perugia, por exemplo. Saindo de Roma ou Firenze o trajeto já é um pouco mais demorado e talvez considerar um pernoite seja uma ideia para curtir a cidade com mais calma.

  • Trem Perugia – Assisi: Cerca de trinta minutos de viagem, com muitos horários disponíveis e bilhete custando 2,65 euros.
  • Trem Roma – Assisi: Trajeto com duração em torno de duas horas e bilhetes custando a partir de 10 euros.
  • Trem Firenze – Assisi: Bilhetes custando em sua maioria 15 euros e duração estimada de viagem de duas horas e meia.
  • Chegando de trem em Assisi é preciso pegar um ônibus até a cidade, já que ela fica cerca de 3 km distante da estação. Para comprar o bilhete do ônibus (Linea C, E069 ou E007) é só se dirigir ao bar ou tabacchi da estação. Para acessar o site da Trenitalia e olhar os valores e horários dos trens clique aqui.

Outra boa dica é baixar o aplicativo Moovit, ele é a minha salvação para andar por qualquer nova cidade. O aplicativo busca sua posição (ou também pode inseri-la), você adiciona o lugar onde quer ir e ele te dá o nome da linha e os horários dos ônibus, é super completo! Também é possível fazer isso utilizando o Google Maps mas talvez não com tanta eficiência e detalhes.

A cidade é uma graça, os moradores cuidam com capricho da decoração!
  • Piazza Giacomo Matteotti –  A praça Matteotti será seu “primeiro” destino pois ali é a última parada do ônibus vindo da estação de trem. Para quem está chegando de carro, também é uma boa sugestão de onde estacionar. A partir desse ponto é possível começar o percurso para conhecer a cidade e como a praça fica no extremo contrário da Basílica de São Francisco, ao invés de você pular várias atrações no caminho e ir direto para lá (o que é uma opção), fica a ideia de fazer o trajeto contrário, ou seja, começar partindo do estacionamento e fazer da Basílica a cereja do bolo. 
  • Cattedrale di San Rufino – Logo após descer na praça/estacionamento Matteotti, pegue a Via del Torrione para conferir a primeira boniteza da cidade. A catedral começou a ser construída em 1029, teve seu interior renovado por volta de 1500 e vale a pena fazer parte do roteiro por manter preservada a pia batismal em que São Francisco e  Santa Clara foram batizados. Eu cheguei ainda pela manhã e estavam começando a organizar um casamento, enfeitando a igreja com flores, panos e arcos. Bacana poder turistar e ver um pouco da cidade “acontecendo”.
A catedral por dentro é simples, mas muito bonita.
  • Basilica di Santa Chiara – Logo após a primeira atração siga para a Basílica de Santa Clara pela Via Dono Doni e sente um pouco nos bancos na volta da praça, nem que só para observar o movimento ou admirar a bela fachada. A igreja foi construída depois da morte de Santa Clara, entre 1257 e 1265, é de estilo gótico e tem o característico tom rosado das construções da época. Ali permanece o corpo de Santa Clara e o Crucifixo de San Damiano (responsável pela conversão de São Francisco).
Basílica de Santa Clara. (Flickr/sergioegabriella)

Uma outra observação interessante de se fazer talvez seja a de que Assisi é realmente bem turística, com muitos comércios e lojinhas por todos os lados. É uma cidade pequena mas isso não significa que seja calma ou com poucos negócios. Não falo isso como ponto negativo mas como forma de pequeno aviso, o centro talvez não te proporcione uma sensação de paz e calmaria, é mega movimentado, cheio de gente (talvez não tanto no inverno mas não sei afirmar) e muito comercial. Mas também acredito que a experiência é a gente quem faz, eu particularmente amei as ruas, as flores, o cuidado com as casas… Isso me encanta, trás aquela sensação de estar em um lugar mágico.

  • Chiesa Nuova – Depois de visitar a Basílica de Santa Clara, a sugestão é conhecer a “Igreja Nova”. O lugar foi construído no início de 1600 (por isso o nome, é uma das edificações mais recentes da cidade), em cima de onde era a casa de São Francisco. Ele morou ali até a sua  conversão, aos 24 anos.
Os tons rosados são substituídos pelos terrosos. (Flickr/dvdbramhall)
  • Basilica di San Francesco d’Assisi – Bom, o lugar mais especial e esperado durante a visita a Assis foi construído no século XIII, tem entrada gratuita e é dividido em três partes: Basílica inferior (onde a trajetória de São Francisco é contada),  Basílica Superior (revestida do chão ao teto com afrescos de Giotto, Simone Martini e Pietro Lorenzetti, belamente iluminada através de vitrais) e a Cripta, onde está o túmulo de São Francisco com todos os pertences que possuía na vida.
  • O criador da Ordem dos Franciscanos nasceu em 1182, e apesar de ter sido criado no berço de uma família muito rica da época, preferiu a simplicidade de uma vida humilde e voltada à caridade. Com 18 anos foi lutar na guerra e acredita-se que após passar um ano preso, sua forma de ver o mundo mudou. A mudança foi tão brusca que o santo deixou de lado todos os luxos e foi viver em voto de extrema pobreza, sendo até hoje referência de caridade e bondade. 
No dia em que fomos tinha uma fila para entrar (esperamos cerca de 15 minutos), estavam fazendo uma leve revista nas bolsas ou mochilas.

A foto abaixo foi tirada sorrindo mas segundos depois passei a maior vergonha haha. Explico: vi essa fachada toda enfeitada e com a porta levemente entreaberta, então o que pensei? “Claro, por que não tirar uma foto fingindo que estou entrando nessa casa, não é genial? Rs”. Só que a porta só estava aberta porque uma irmã tinha ido fazer algo na rua e enquanto eu terminava de tirar a foto ela voltou. Imaginem minha cara quando ela chegou perto querendo entrar em casa… Enfim, fica a dica: não esqueça que por mais que a cidade seja turística e os lugares convidativos ao registro fotográfico, não é por isso que não moram pessoas ali ou que não temos que ter respeito ao seu ambiente! Bom senso sempre é bem vindo! Dessa vez eu me empolguei e ficou faltando da minha parte, lição aprendida.

Mas que é uma gracinha é, né? rs
  • Piazza del Comune – Depois de visitar a Basílica fica a dica para conhecer a principal praça da cidade, que é um bom local para fazer a pausa do almoço, tomar um gelato ou ficar observando o movimento.
Tinha que ter uma fonte na praça, não é? rs
  • Templo di Minerva – O templo é um antigo santuário romano do século I a.C. dedicado a deusa Minerva e está situado na praça do Comune. No século XVI foi transformado na igreja de Santa Maria sobre Minerva e, até hoje, é considerado um dos templos mais bem preservados do mundo antigo, o seu interior é decorado com características barrocas do século XVII.
Desde o ano 2000 é reconhecido pela Unesco como patrimônio da humanidade. (Flickr/damiendude)
  • Agora vamos falar um pouco de comida, né? O Ristorantino Nonna Nini é a dica! O lugar foi um verdadeiro achado, pequeno, acolhedor, atendimento super acima da média, sem coperto, comida gostosa, preço justo e naquele dia ainda estavam oferecendo uma tacinha de frizante de boas vindas! Sério, antes de ir embora até pedi uma foto para colocar no blog, eles merecem muito a indicação. Fica localizado na Via S. Rufino, 4.
Gosto de apreciar a arte imaginando que entendo uma pequena fração do mundo daquele artista, por meio da sua obra. Não é uma linda maneira de expressão? Máximo respeito.
  • Rocca Maggiore – Um dos pontos turísticos mais especiais de Assisi na minha humilde opinião! Não só pelo lugar em si, que proporciona uma vista estupenda da cidade, mas também pelo caminho que você faz até chegar lá pela Via della Rocca. É repleto de casas com jardins tão bem cuidados que você vai duvidar se são de verdade mesmo, sem exageros.
Inicia-se a subida… É um bom exercício até chegar na Rocca, fôlego e força nas pernocas!
Não é de encher os olhos? Fico encantada com todas essas cores!

Rocca Maggiore foi construída em 1365 com o intuito de defender a cidade de possíveis ataques inimigos e hoje pode ser visitada a partir da compra de ingresso. Eu me contentei em apenas ficar admirando a vista do ponto mais alto da cidade (um super panorama que permite ver até Perugia ao longe), fechando de forma perfeita o agradável passeio.

A vista nos incentiva a um demorado momento de contemplação… 
Mais belas casinhas no caminho de volta.

Depois que você curtir a paisagem na Rocca Maggiore, volte para a Piazza Matteotti (a mesma em que chegou no início do passeio) e pegue o ônibus até a estação de trem.  Para finalizar, gostaria de ser sincera e dizer que apesar de ter sugerido todo esse trajeto religioso, com visita às igrejas e às basílicas, não o faço por ser católica, mas por incentivar o conhecimento do novo, dessa tão rica região – histórica e culturalmente falando. Até porque se você pretende “turistar” na Itália e não gosta de visitar igrejas tenho uma notícia para lhe dar rs… Brincadeiras à parte, acho que o interesse cultural transcende qualquer questão religiosa, é enriquecedor entender como uma cidade ou povo se desenvolveu ao longo dos séculos, quais foram suas crenças ou temores, os ensinamentos que passaram para o mundo através das suas “personagens”. Espero que tenham gostado do passeio! 🙂

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